domingo, 18 de maio de 2014

Vetorização automática de fotos no Inkscape para estampas de camisas


O procedimento para o rastreio automático de imagens do Inkscape é algo tão simples que dispensa qualquer tipo de tutorial.
O objetivo desse artigo é mostrar alguns princípios básicos importantes sobre imagens bitmap e imagens vetoriais. Por fim, você terá um exemplo do sofisticado poder de rastreio do Inkscape.

Primeiramente é preciso que você compreenda a diferença de uma imagem gráfica em bitmap (imagem raster) e uma imagem gráfica vetorial.

Um objeto gráfico bitmap é uma matriz de pixels. Por pixel define-se cada ponto de cor que compõe uma imagem. Quanto maior o número de pixels (do termo dpi – em inglês, dots per inch – pontos por polegada), maior será a definição da imagem, e proporcionalmente maior será o tamanho do arquivo.
Os formatos de imagens bitmaps mais comuns são .JPG, .GIF, .PNG, .TIF, .PSD.

É impossível redimensionar uma imagem bitmap sem perda de informações. Essa perda é proporcional ao tanto que a imagem for redimensionada, seja para um maior ou para um menor tamanho.

Quando você aumenta a altura e largura de uma imagem bitmap, o software de edição precisa acrescentar pixels para ocupar os espaços necessários do novo tamanho que foi acrescentado à imagem.
Se você diminuir a imagem, o software precisará eliminar pixels.   
Quanto menor a resolução de uma imagem, menor também será o nível de detalhamento e mais perceptível se tornará os pixels que a compõem. Observe a matriz de pontos "quadriculados" que lembra um bordado e forma a imagem bitmap no detalhe abaixo.
Cada um desses quadrados coloridos no detalhe é um pixel da imagem. Pode-se dizer que o detalhe do olho possui 24x24 pixels de resolução. Hoje é muito comum trabalharmos em imagens com milhões de pixels, que mostram detalhes tão minuciosos que praticamente nem percebemos qualquer diferença quando ela é redimensionada. Mas independentemente de percebermos ou não, sempre há perdas de informações envolvidas em qualquer ampliação.

O problema tende a se agravar caso haja ampliações ou reduções sucessivas, já que a imagem bitmap, uma vez modificada e salva, jamais retornará às suas características originais. Numa eventual sucessão de mudanças, a imagem tende a se degradar cada vez mais, até se tornar inutilizável.

Já as imagens vetoriais são concebidas por linhas gráficas, cuja composição é construída sobre um sistema de coordenadas cartesianas, através de vetores matemáticos. Essas coordenadas garantem que cada característica da composição da imagem, como cor, posição, forma, etc, possa ser definidas matematicamente e, por isso, podem ser ampliadas e reduzidas infinitas vezes e mesmo assim manter suas características originais, sem nenhuma perda de qualidade. Por exemplo, eu posso criar um círculo preenchido de amarelo com 12 milímetros de diâmetro e depois disso ampliar esse circulo para 12 metros e ele manterá suas características absolutamente intactas. Depois disso eu posso reduzir esse círculo de 12 metros ao tamanho do pingo da letra "i" e, ainda assim, não sofrer qualquer perda de qualidade. Nesses casos, as funções matemáticas é que adequam-se à escala, garantindo a integridade da imagem.

Bom, já que os vetores são tão poderosos e possuem essa característica de nunca perderem sua qualidade, porque então não se substitui as imagens bitmap por gráficos vetoriais? Calma, não é bem assim. As imagens bitmap ainda são o melhor meio de representar fotografias em formato digital. A malha de pixels ainda é o que há de melhor para reproduzir as minúsculas nuances de luzes, sombras e cores em uma foto. Nesse quesito os pixels são imbatíveis.

Já os gráficos vetoriais ganham a briga quando o negócio é representar logos, símbolos, e letras.

Apesar dessa característica, é possível fazer belas reproduções de fotografias no formato vetorial.

As principais soluções comerciais do mercado como o Corel Draw e Adobe Illustrator disponibilizam ferramentas para o rastreio de bitmaps com relativa qualidade e facilidade.

Porém o Inkscape supreende por oferecer uma ferramenta cujo resultado final do rastreio pode impressionar até os mais exigentes.

Para maiores informações sobre esse assunto leia também o artigo:
Uma técnica bastante usada é o rastreio de fotos para estampas de camisas. O resultado é uma foto estilizada, porém facilmente identificável. O método é reverenciado por designers por ser capaz de produzir uma imagem reconhecível, usando uma única cor de tinta e capaz de ser estampada com técnicas comuns do silk-screen - fato que barateia o processo.

Observe a imagem do Michael Jackson abaixo:


Você poderia simplesmente importar a imagem acima, do jeito que está, para o Inkscape e rastreá-la. Mas certamente o resultado não ficaria bom. 

Para obter um resultado bacana, quanto maior for o contrate entre as zonas claras e escuras melhor será o aspecto final.  Para ajustar o contraste, o primeiro passo é converter a imagem para tons de cinza, procedimento muito simples de ser feito no Gimp.


O objetivo é acentuar o contraste, porém mantendo um equilíbrio entre as áreas claras e escuras da imagem. Abaixo, o resultado do ajuste de contraste que foi usado neste tutorial.


Agora é a vez do Inkscape entrar em ação. Importe a imagem para o Inkscape. Basicamente tudo que você tem a fazer é ir ao menu Caminho > Vetorizar bitmap...

Na janela Vetorizar bitmap, ajuste a intensidade de brilho para aumentar ou diminuir o detalhamento do vetor. Depois, clique no botão Atualizar para obter uma pré-visualização.


Veja abaixo o resultado final.


Se quiser, você poderá fazer o download desta imagem acima, em formato vetorizado, clicando no botão abaixo:


Clique aqui para baixar


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